Fotos do bombardeio de fósforo branco a Gaza
As fotos abaixo nos chegam de um professor da Universidade Islâmica de Gaza, Ameen Hammad, via Prof. Ricardo Berbara, do Rio de Janeiro. O blog agradece a ambos.







As fotos abaixo nos chegam de um professor da Universidade Islâmica de Gaza, Ameen Hammad, via Prof. Ricardo Berbara, do Rio de Janeiro. O blog agradece a ambos.







A convite dessa magnífica instituição, vou passar uns dias em Los Angeles, cidade-véu por excelência que, por incrível que pareça, eu não conheço até hoje. Confiando que quem dirige em BH dirige em qualquer do lugar do mundo, aluguei um carrinho com GPS para o fim de semana na Califórnia. Volto na quarta e até lá o mais provável é que o blog fique meio largado.
Se você está na Costa Oeste dos States e quiser dar um pulo até a palestra, o papo é sobre estudos de masculinidade nas literaturas brasileira e hispanoamericana e acontece na segunda à tarde no Departamento de Espanhol e Português, sem dúvida um dos líderes da disciplina nos EUA.
Até já, pois.
O texto que se segue foi enviado por Dania e assinado por ela e o marido Mohamed, artista de Gaza e professor do Departamento de Belas Artes da Universidade Al Aqsa. A tradução ao português é uma gentileza de Sofia Vialatte, a quem agradeço.

(Dania com suas crianças em Gaza)
Bom dia,
Estamos ainda vivos…até agora ao menos…depois de uma semana de estresse e horror que temos vivido durante o bombardeio contínuo sobre Gaza. Perto de nossa casa já cairam 15 mísseis, os vidros das janelas se quebraram, o chão treme, as crianças estão aterrorizadas, não ousamos sequer ir ao banheiro de medo do teto cair sobre nosssas cabeças. Depois que as operações terrestres começaram, no decimo dia houve incursões no bairro de Atatra e Solatina, à 500 m de nossa casa. Foi o inferno á noite toda. Ouvíamos as explosões tão fortes que parecia que aconteciam diante de nossa porta. Vemos fumaça no céu cinza, durante todo o dia; nos atacam de todos os lados.
O pior é que desde o primeiro dia estamos sem eletricidade e sem água. Até as cisternas encima do teto foram furadas pelas explosões dos Obuses. O único meio de informação que temos é o telefone e o rádio. Ouvimos historias de massacres e recebemos novidades dos amigos. Creia-me, famílias inteiras foram massacradas. O irmão do meu vizinho estava na mesquita na hora do bombardeio; seus dois irmãos, então, saíram para tentar achá-lo debaixo dos escombros, quando caiu o segundo míssel encima das cabeças dos três irmãos que se tornaram pedaços de carne; não falamos de cadáveres, mas sim de pedaços de corpos irreconhecíveis.
Após duas noites de inferno, decidimos sair – meus sogros saíram à força – vimos tanques bombardeando á esmo e mesmo assim assumimos o risco de sair com uma bandeira branca: eu, meu marido, meus dois filhos e meus dois sogros. Graças á Deus nenhum de nós foi atingido. Na mídia se falava de uma trégua diária das 13 ás 16 horas por razões humanitárias, mas era mentira. Duas mulheres do meu bairro saíram para buscar provisões para seus filhos e foram mortas. Fomos hospedadas pela irmã do meu marido no centro da cidade de Gaza. Outras pessoas não tinham aonde ir. Nas ruas havia muitas famílias que fugiram das suas casas…. uma nova geração de refugiados.
Duas horas depois de nossa saída do bairro, os vizinhos que ficaram nos informaram que uma bomba foi jogada no nosso teto. Três dias depois, a Cruz vermelha nos informou que havia uma trégua entre as 7 e 11 horas para que as mulheres voltassem para casa, para pegar seus pertences. As ambulâncias eram impedidas de avançar para pegar os feridos. No bairro Al Atatra, a Cruz Vermelha descobriu 4 crianças do lado da mãe morta depois de 7 dias e morrendo de fome; foram salvas no último minuto.
Todas as portas de minha casa foram quebradas. O exército israelense vasculhou todas as casas, incluindo a nossa. Todos nossos móveis foram danificados e nossos pertences espalhados pelo chão.
Não posso resumir estas 2 semanas em algumas linhas. Eu saí da minha casa para morar num apartamento onde há 30 pessoas refugiadas. Muitas pessoas que habitam a periferia se dirigiram ao centro onde havia mais segurança.
Na verdade, não há segurança para nenhum palestino em Gaza.
Nos disseram que o objetivo desta guerra era exterminar os membros do Hamas, mas é um pretexto como os anteriores, para exterminar e aterrorizar o povo palestino. São mais de 900 mortos civis dos quais 275 eram crianças e 97 mulheres – algumas grávidas; 15 paramédicos e 5 jornalistas em 2 semanas.
A mensagem é clara. Fazem pagar ao povo palestino a liberdade de expressão e o voto no Hamas.
Para que as pessoas detestem o Hamas, não param de transmitir mensagens nos canais locais dizendo-nos que a causa de tudo é o Hamas, que nos traiu e foi irresponsável porque não tomou o cuidado de proteger-nos. É isso.
Eu, que sempre fui contra os islamicos extremistas, não sou imbecil ao ponto de acreditar nessas mentiras! Antes do Hamas, já nos bombardeavam ou nos insultavam nas fronteiras ou nos aprisionavam dentro de Gaza e perante o mundo disseram que se retiraram de Gaza e que nos deixaram livres e que não temos do que reclamar!
Faz dois anos que sofremos o bloqueio que nos asfixia. Eu sonho em ter o direito de viajar como todas as pessoas do mundo, de ter um país, uma nação livre; o lançamento dos foguetes é outro pretexto para convencer o mundo que os israelenses são vítimas e que têm o direito de se proteger, fabricando armas proibidas internacionalmente (bombas de fósforo). Mesmo sabendo que a maior parte dos israelenses que foram internados tinham poucos ferimentos (mais pânico do que ferimentos verdadeiros), estes foram apresentados como vítimas. Ao mesmo tempo que 1 milhão e meio de palestinos vivem aterrorizados e nos hospitais de Gaza não há meios para fazer intervenções cirurgicas para tantos feridos verdadeiros .
Acho que não conseguiremos nos recuperar deste choque. Tenho dúvidas se depois desta guerra, caso ela acabe, teremos uma casa onde morar. Se é para morrer, prefiro a morte de todos juntos. Não quero viver para ver meus filhos massacrados na frente dos meus olhos.
Agradeço a todos os amigos que nos enviaram mensagens de apoio… Aprecio as manifestações que houve no mundo, a ajuda recebida, os atos de solidariedade. Mas desculpem, estou tão desesperada e ao mesmo tempo convencida de que Israel, bem protegido, não cessará o ataque. Só quando consegue seu objetivo que é atingir os civis. A decisão de terminar as operações virá dos generais e não da pressão da comunidade internacional.
Fora isso, temos para comer, sem preocupação com isso. Israel deixa entrar as provisões necessarias, para provar que é humanitario. Temos problemas de falta de assistência médica, por ausência de especialistas. Só temos Unrwa e Cruz Vermelha, exercendo seu trabalho em condições precárias.
As pessoas não perderam o espírito solidário, mas a catástrofe está em cima de todos. Cada um tem sua propria história triste; eu mesma, que estou em estado de choque e mal tenho forças para escrever para você.
Assinam: Dania e Mohamed.
Sim, são-paulinos chatos, eu também sei o que é torcer para um time que ganha sempre. Desfruto dessa maravilhosa sensação desde 1990, torcedor que sou dos North Carolina Tar Heels, nesse que deve ser o mais eletrizante-emocionante-espírita dos esportes, o basquete universitário americano. Este post é uma explicação sobre o que faço atualmente enquanto não estou assistindo aos Campeonatos Estaduais do Brasil no satélite gringo da Globo, que eu decidi que já não vale mais a pena pagar (o Campeonato Mineiro começou como sempre, com pênalti roubado para os Perrella).
Nós, brasileiros, gostamos de tirar onda com europeus e argentinos porque o Campeonato Brasileiro pode ser, teoricamente, vencido por 10 a 12 times sem que isso seja zebra. O torneio nacional universitário dos EUA, que reúne os 64 melhores do basquete em março — depois do fim dos amistosos e das ligas regionais, que se jogam de outubro a fevereiro –, pode ser vencido por 20, 25, 30 equipes sem grandes surpresas. É o torneio mais sensacional que eu conheço, pau a pau com a Liga dos Campeões européia. As zebras sempre acontecem, claro, porque o torneio se joga no mata-mata. Vença seis jogos seguidos e você é campeão nacional.
A Universidade da Carolina do Norte, primeira universidade pública dos EUA, é o esquadrão que mais venceu jogos nesse torneio nacional. Foi dirigido, durante décadas, por um técnico que é uma lenda viva e figura histórica na luta contra o racismo no sul dos EUA. Do alto dos seus 1,60 e pouco, Dean Smith acompanhou muitos negros a protestos em lanchonetes.
Carolina é pentacampeão americano (1924/57/82/93 e 2005), segundo time que mais chegou entre os semifinalistas nessa grande festa que é a Final Four e potência hegemônica na liga regional mais forte do país, a Atlantic Coast Conference. É, sem dúvida, junto com Kentucky e UCLA, o programa mais legendário do college basketball. Nele jogou um certo Michael Jordan, que no seu primeiro ano de faculdade foi campeão nacional acertando o jumper decisivo. Jordan, para quem não sabe, estudou português na UNC. Aqui, o arremesso do título nacional de 1982:
Chapel Hill é um caso único de uma cidade de 55 mil habitantes que tem uma arena esportiva para 22 mil pessoas que lota todos os jogos. Você, que mora na BH de 3 milhões e vê 2 mil almas penadas irem ao Mineirão numa quarta-feira depois da novela para ver Atlético e Ituiutaba, imagina o que é uma cidade de 50 mil levar 20 mil ao ginásio duas vezes por semana? Esse é o eletrizante basquete que se vive todo ano, de outubro ao começo de maio, em Chapel Hill. É realmente uma pena que os canais de TV a cabo no Brasil não transmitam. É muito mais interessante que a temporada regular da NBA.
Até agora, vamos com 17 vitórias e 2 derrotas. Ontem, outra típica vitória de Carolina: em Tallahassee, o time de Florida State – traumatizado por ter perdido 20 dos últimos 23 jogos contra os Tar Heels – liderou até o final em casa, mas entregou o ouro, levando a cesta decisiva com 1 segundo:
(vá arrastando a linha aqui para ver a evolução de uma típica vitória de virada dos Heels)
Seria de mau agouro eu dizer que somos favoritos para chegar à Final Four, mas digamos que o melhor jogador do basquete universitário do ano passado – Tyler Hansbrough — já poderia estar na NBA ganhando milhões. Só voltou a Carolina para jogar seu último ano de faculdade porque quer o caneco. Nosso último título nacional – o regional a gente ganha todo ano — foi em 2005:
O site do ESPN transmite jogos, caso alguém se interesse. Em todo caso, combinemos que eu vou dando notícias da temporada do basquete universitário e vocês me avisam se acontecer algo fora do normal nos Campeonatos Estaduais – além da existência de um campeonato onde não há times da capital.
Eis aqui um link para se guardar nos próximos anos: o Obâmetro, que compilou mais de 500 promessas de campanha de Obama e está catalogando-as sob “cumpridas”, “em andamento”, “solução de compromisso”, “nenhuma ação”, “paralizadas” e “quebradas”.
Até agora, 5 cumpridas, 14 em andamento, nenhuma quebrada em definitivo.

488 esperam ação.
Imaginem se seria sequer possível um site desses sobre o governo Bush. É aquela mágica palavrinha inglesa, accountability, que define o contexto onde o cidadão tem como saber o que está sendo feito e cobrar.
PS: Salve, salve ciência. Welcome back. O Science Blogs já respondeu ao chamado de Obama a uma discussão sobre o lugar da ciência na nova administração.
Numa entrevista que contém alguns momentos de análise econômica clara e brilhante e em outros surpreende pela revisão que faz o autor de suas posições políticas, o grande sociólogo brasileiro Francisco de Oliveira, talvez o principal crítico à esquerda que teve o PT nos últimos anos, propõe um pacto político – um “1930 varguista” para o século XXI, define ele – para impedir o retrocesso que seria uma vitória da coalizão serrista em 2010:
CM – Que espaço sobra para a periferia do sistema, caso do Brasil, entre outros?
Chico – Estamos emparedados entre a concorrência chinesa e a desordem financeira no coração do capitalismo. A crise nos pega no meio do caminho e, naturalmente, não podemos regredir e adotar um padrão chinês de salários de miséria. Alguns até gostariam, mas não dá, felizmente não dá mais e tentar seria uma calamidade social de proporções incalculáveis.
CM – Qual opção à paralisia, se é que existe uma – e viável?
Chico – Não existiu Vargas em 1930? A opção é uma soma de coragem política e investimento público pesado. Criar algo como cinco EMBRAERs por ano em diferentes setores; promover uma superação do modelo ancorado-o agora em forças sociais da base da sociedade. Carlos Lessa sugeria isso no BNDES, no começo do governo Lula; não deixaram…
CM – Mas o Brasil de Vargas não existe mais…
Chico – Para Getúlio também não foi fácil, mas ele fez. E fez à revelia da plutocracia mais poderosa do país; enfiou seu projeto goela abaixo da burguesia paulista e se firmou como um estadista da nossa história. A elite paulista jamais admitirá, mas ele foi o grande estadista do desenvolvimento nacional.
[…]
CM – Internamente a elite talvez não veja as coisas assim, como propriamente complementares, quando se associa crescimento a um arranque pesado de investimento público.
Chico – Nossa burguesia se transformou em gangue. Expoentes nativos são figuras do calibre de um Daniel Dantas ou esse Eike Batista que opera dos dois lados da fronteira boliviana; não se pode contar com protagonistas dessa qualidade para qualquer coisa, menos ainda para uma agenda de desenvolvimento. Não há saída por aí. Mas o Brasil também não teria saído da crise de 30 se Vargas fosse esperar a mão estendida da plutocracia de São Paulo, por exemplo. Ele ocupou o espaço e fez.
CM – Logo…
Chico – Logo precisaria reinventar o PT; um PT com a ousadia de um Kubitschek e de um Vargas; para fazer por baixo o que eles tentaram e fizeram por cima; um arranque do desenvolvimento induzido pela base social para mudar a economia e a sociedade. Cinco EMBRAERs por ano e ponto final.
CM – O senhor acredita nesse aggiornamento do PT?
Chico – Se depender de torcida para que aconteça tem a minha. A lógica de acomodação de forças que a crise mundial impõe é de dimensões tão brutais, tão inauditas que exige da esquerda brasileira um desassombro igualmente inusitado.
Leia a íntegra no site da Carta Maior. Chico, vale lembrar, é o autor da ilustre tese que toma o ornitorrinco como metáfora do capitalismo brasileiro, dualismo expresso na polaridade PSDB / PT, na qual este último, para Chico, já estaria reduzido a partido representante dos administradores de fundos de pensão. A simpatia de Chico pelo PSOL durou pouco, e se esvaiu completamente no dia em que Heloísa Helena apareceu na TV dizendo que a solução para o crime era “construir mais prisões”.
Sempre atento à conjuntura, ele aparece aí sugerindo um pacto desenvolvimentista ao redor de Dilma, se refere a Serra como ‘um caso psiquiátrico’ e fala do retrocesso que seria a vitória de uma coalizão privatista em 2010: ‘eles ficariam por aí mais dez anos’, prevê o sociólogo brasileiro.
Pode-se discordar de Chico, mas é sempre um sujeito que está pensando a realidade, sem importar frases feitas de ninguém.
Há uma avalanche de notícias das primeiras 72 horas de Obama: ordem executiva decretando o fechamento de Guantánamo em um ano, reinstalação do Manual do Exército (que não admite tortura) como parâmetro para qualquer interrogatório, ordem de fechamento das prisões secretas da CIA fora do país, amplas medidas de aumento da transparência e possibilidade de escrutínio da Casa Branca (de site novo), uma boa nomeação para o Oriente Médio (George Mitchell), entre outras.
Mas não pode passar batida a entrevista de Russell Tice a Keith Obermann, na qual Tice, ex-analista da National Security Agency, bota a boca no trombone acerca do programa de espionagem da administração Bush, que foi pior do que qualquer um imaginava.
Visit msnbc.com for Breaking News, World News, and News about the Economy
O resumo da ópera é que todo mundo estava sendo espionado: uma giganteca e orwelliana teia de escuta e leitura ilegal de telefonemas, emails e faxes cobria todas as comunicações do país, mesmo as que se davam entre “americanos normais”. Até as comunicações daqueles que jamais se relacionaram com o exterior eram monitoradas.
Tice sofreu pressões durante o governo Bush e já nos primeiros dias de Obama resolveu dar com a língua nos dentes. Entre os grupos especialmente visados, ele mencionou os jornalistas. Já dá para imaginar quais seriam alguns dos outros (árabe-americanos, por exemplo). Não está claro neste momento se haverá condições político-jurídicas de processar os responsáveis. Obama está lá, caladinho, o que é do seu feitio.
Em janeiro, os sábios do jornalismo descartavam a pré-candidatura de Obama como um breve prelúdio à coroação de Hillary. Em fevereiro, de um lado do mundo um adeus, de outro massacres que continuavam. Em março, enquanto Barack Obama se preparava para revolucionar a campanha eleitoral eletrônica e interativa, o judiciário brasileiro inventava a campanha eleitoral sem internet. Em abril, a oposição brasileira e seus aliados na imprensa batiam cabeça, enquanto só em maio, depois de meses de cobertura blogueira, o escândalo do DETRAN gaúcho estourava na grande imprensa. Em junho, claro, completamos 50 anos de existência adulta como país de verdade. Em julho, boa parte da grande imprensa brasileira se revelou bem amiga de Daniel Dantas e bem interessada em fulminar o Doutor Protógenes. Em agosto, John McCain deu um presente chamado Palin para Obama, mas os sábios do jornalismo falaram em “golpe de mestre”. Em setembro, começou a desabar o castelinho da desregulamentação do capitalismo Bush e desapareceram os profetas do livre-mercado, agora ocupados em pedir socorro financeiro do estado para seus patrões corporativos. Em outubro, a população brasileira fez de PPS, DEM e PSDB os três partidos que mais perderam votos em todo o território nacional, mesmo com a caipirice do PT mineiro e o lampejo de semi-cidadania da República Leblon. Em novembro, a noite inesquecível. Em dezembro, o jornalismo brasileiro nos proporciona dois espetáculos televisivos grotescos, com Gilmar Mendes e com o Doutor Protógenes.
Alexandre Inagaki não deixou de fazer, evidentemente, seu tradicional e imperdível balanço.
Dez anos antes de que existisse o Biscoito Fino e Massa, Latuff já sabia

e oferecia o seu trabalho como exemplo de que

copyleft is the way e a informação deve ser livre

e que sobretudo nenhuma restrição se aplica às imagens que documentam

a expulsão e posterior ocupação militar de que foi e é objeto o povo palestino,

pois elas configuram testemunho de crime lesa-humanidade.

Sem ter tido tempo de fazê-la antes, deixo aí a homenagem a Latuff, cartunista brasileiro genial, conhecido no mundo árabe e adorado na Palestina. Ele é uma verdadeira história da consciência sobre esta questão no Brasil.
Faltou, no Biscoito, a documentação deste cúmulo. O assassinato das filhas de um médico palestino que cuida de vidas israelenses e o registro de sua reação à chacina ao vivo, na TV de Israel. Um médico palestino que fala hebraico, que perdeu tudo.
Se alguém se julga em condições morais de julgar este pai caso ele decida se converter em homem-bomba, por favor, envie cartas para a redação.
