Convite ao debate e notas sobre a crise

O Biscoito gostaria de convidá-lo para acompanhar ao vivo, na quinta-feira, às 22 h de Brasília, aquele que promete ser um dos eventos políticos mais inesquecíveis do nosso tempo, o debate entre os candidatos a vice-presidente dos EUA, o Senador língua-solta Joe já-não-dá-para-comprar-chiclete-em-Delaware-sem-ouvir-sotaque-indiano Biden e a Governadora criacionista-fundamentalista Sarah sei-de-política-externa-porque-vejo-a-Rússia-da-minha-janela Palin. Você, claro, está intimada a aparecer. Pedrão estará ao vivo ao leme do blog dele, com certeza. Se aparecer uma boa turma, dá para ter uma caixa de comentários tão divertida como as do Impedimento em dia de cobertura em tempo real. O debate será memorável, não tenho dúvidas.
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Enquanto no Brasil Lula chega a níveis soviéticos de aprovação (com a diferença, claro, de que os números de Lula são reais), aqui na República dos Estados Unidos Soviéticos da América, como sabem, foi dia de colapso total. Mais um banco dobrou: o Wachovia, outrora valente instituição que havia sido meu primeiro banco nos EUA. Ali guardei meu primeiro chequinho de 300 mangos. Sobraram Citigroup, Bank of America e JP Morgan Chase. São os States, no rumo inexorável do socialismo leninista.
Ante o fracasso do pacotão, John McCain disse que não era hora de procurar culpas, duas horas depois de pôr a culpa em Obama, que é membro do partido que votou em peso pelo socorro, enquanto o partido de McCain votou massivamente contra ele – apenas 90 minutos depois de McCain se declarar responsável pelo “sucesso” da votação que ocorreria. É o samba do branquelo doido, a campanha de McCain.
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Obama diz que se Bin Laden pintar na parada no Paquistão, ele manda bomba mesmo. McCain ironiza isso como ingenuidade. Sarah Palin diz a mesma coisa que Obama (claro que sem frases completas). McCain e Palin aparecem juntos para tentar consertar. É hilário:
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Que me desculpem os amigos d’álem-mar, mas é impressionante a ignorância da esmagadora maioria da blogosfera portuguesa ao falar de política externa. É o único lugar do universo onde se toma como autoridade em EUA o aprendiz de pitbull da Veja, que não saberia diferenciar Montana e New Hampshire num mapa. Disseram que McCain esteve “mais à vontade” no debate. Então tá, como dizem os mineiros. Um sujeito que não conseguia olhar para o outro estava mais “à vontade”? No Brasil, o único que deu vitória para McCain no debate foi um português. Alô, amigos, querem trocar um jornalista por um técnico de futebol?
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Vejam que coisa de gênio, vejam as maravilhas da internet: o gerador de entrevistas de Sarah Palin, no qual você pode produzir centenas de respostas palínicas para a mesma pergunta, antes de passar para a próxima (via Piro, que sei lá como encontra essas coisas).
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Caetano Veloso tem todo o direito de espinafrar o jornalista que quiser em seu blog. Tem todo o direito de não publicar comentários fora de assunto ou que contenham grosserias. Mas no momento em que opta por não publicar um comentário como esse, vai perdendo a credibilidade de blogueiro. Cada um é cada um, mas só estou dando meu palpite de fã. Critério na pilotagem aí, Hermano. É só uma sugestão amiga. Aliás, bem-vindo, Caê, ao blogroll do Biscoito.
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Quanto ao colapso do RUSA (novo nome do país), quem teve o insight genial foi Mestre Sergio: a culpa da quebradeira logo no aniversário da morte de Machado? Foi do bruxo alienista, claro, que se vingava de Gustavo Franco, pela cara-de-pau de ter proclamado o autor de Quincas Borba como precursor do neoliberalismo e do dogma da sapiência infalível do mercado desregulado.
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No portal de notícias da Globo, o link que anunciava o recorde de aprovação a Lula passou o dia apontando para a matéria sobre a queda da Bovespa. No começo da noite, o link saiu da capa.
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Em tempo: Para quem lê inglês, acaba de sair um livro – um número especial, na verdade, da boa revista Portuguese Literary and Cultural Studies – dedicado inteirinho a Machado, e composto quase que somente por feras: Rouanet, Antonio Candido, Alfredo Bosi, Raúl Antelo, Marisa Lajolo, Regina Zilberman, Hélio de Seixas Guimarães e outros. Entrou lá um blogueiro atleticano de gaiato, falando sobre Machado e a música.
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Ficamos combinados, então. Quinta-feira, 22 h de Brasília. O debate do século.

Seria possível escrever 30 volumes sobre a história dos erros da esquerda no Rio de Janeiro. É uma infindável lista, desde a criminosa intervenção dirceu-delúbica contra o resultado da convenção do PT em 1998, impondo uma aliança com Garotinho, até a declaração de Jandira Feghali sobre o aborto na última eleição, que lhe custou nada menos que uma vaga no Senado Federal. Essa história explica o insólito fato de que o Rio não possui hoje uma estrutura política de esquerda consolidada e enraizada na população, ao contrário de São Paulo, BH, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza. Digo que o fato é insólito porque o eleitorado carioca é até mais esquerdista que o paulista ou o mineiro. Em 1989, o Rio deu a Lula uma vitória retumbante contra Collor; em 1982, quando em outros lugares a extrema-esquerda do elegível era Franco Montoro ou Tancredo Neves, o Rio escolheu Brizola; em 2006, Heloísa Helena teve lá seu melhor desempenho.





