Primeiras impressões da votação em Wisconsin

 

Ainda faltam algumas horas para que se fechem as urnas em Wisconsin, mas já há algumas notícias. A vitória nesse mui progressista estado do meio-oeste americano é importante para ambos, muito mais para Clinton que para Obama. Em primeiro lugar, porque já são oito vitórias consecutivas do senador de Illinois. Em segundo lugar, porque a demografia de Wisconsin deveria favorecer Clinton. Nove de cada dez eleitores democratas de Wisconsin são brancos (números de 2004). A porcentagem de subúrbios em Wisconsin é maior que a média nacional. Mais que pela diferença numérica de delegados, Wisconsin é chave pelo seu impacto psicológico. Uma vitória de Obama colocaria a campanha de Clinton nas cordas. Uma vitória de senadora de Nova York pode ajudar a reverter o embalo de Obama e criar as condições para o que espera a campanha de Hillary: uma virada em Ohio e no Texas, no próximo dia 04.

Em Wisconsin, Clinton liderou durante meses, a coisa ficou bem disputada nas últimas semanas e os números fresquinhos que chegam dizem o seguinte: Rassmussen: Obama 47 x 43 Clinton (pesquisa do dia 13); Research 2000: Obama 47 x 42 Clinton (dias 13/14); Public Policy Polling (pdf): Obama 53 x 40 Clinton (dias 16/17). Quanto ao American Research Group, os números são curiosos: a pesquisa dos dias 15/16 dava vitória de Clinton por diferença superior à margem de erro, 49 x 43. A pesquisa dos dias 17/18 já apontava uma diferença de 10 pontos em favor de Obama: 52 x 42. Segundo o PPP, Obama vence Clinton por 64 x 32 entre os eleitores de 18 a 29 anos de idade; vence por 65 x 27 entre os balzaquianos de 30 a 45; vence por 51 x 41 entre a turma de idades entre 45 e 60; Clinton vence Obama por 54 x 39 entre os eleitores de mais de 65 anos de idade. Obama vence entre os homens por 57 a 36 e também vence entre as mulheres, por 50 a 43. São números de pesquisas, claro.

A rádio WUWM de Milwaukee está confirmando comparecimento gigantesco às urnas em Wisconsin. Em condições normais, isso deveria favorecer Clinton. À luz da evolução dos números, não seria surpresa se favorecesse Obama, especialmente se a votação em Madison for grande. Em Madison fica o campus principal da Universidade de Wisconsin, onde fui tão bem recebido. É uma das cidades mais progressistas dos Estados Unidos, além de ter a melhor oferta de cervejas deste lado do Atlântico. Em Madison, acredito numa diferença bem grande em favor de Obama. A conferir.