Galo campeão mineiro de 2007
Qual a grande diferença entre os pequenos ou médios e os verdadeiramente grandes? Ela não reside tanto no cavalheirismo do saber perder, mas no ganhar com classe. Por isso Parreira e Zagallo jamais chegarão aos pés de Telê Santana. Em décadas recentes, um pequeno time da colônia italiana que já passou por meia dúzia de nomes veio a desbancar o América-MG como maior aspirante a rival do Clube Atlético Mineiro, o único grande time do povo de Minas. Tendo ganhado alguns títulos, o ex-Palestra e ex-Yale abusou do direito de exibir a falta de classe de quem ainda não vence com naturalidade, não está acostumado a ganhar, não chegou ainda a ser grande.

No começo deste Campeonato Mineiro, quando o Atlético perdeu os dois primeiros jogos e estreou na lanterna, o Sr. Perrela declarou que o Galo tomara “gosto pela segunda divisão”, que deveria cuidar-se “para não ir disputar a segundona do Mineiro”, que o ex-Ipiranga jogaria com a equipe júnior: típicas declarações de clube que ainda não é grande, que tem o complexo próprio àquele que somente aspira a ser rival de. Tratava-se de um Campeonato Mineiro que o ex-Ipiranga disputaria quase totalmente em BH e ao redor, enquanto o Galo visitava as fronteiras com ES, SP, RJ e GO. Eles falaram, falaram, falaram. Menosprezaram o primeiro campeão de BH, de Minas, do Brasil, primeiro a encantar a Europa, primeiro e único do mundo a bater a Seleção Brasileira.* Oh, quantas vezes queimarão a língua antes de aprender que o apelido Galo Vingador não é gratuito? Já se esqueceram da lição do Campeonato Brasileiro de 1999? Abusaram do direito de exibir sua condição de novos ricos e de demonstrar, com declarações apressadas, seu ressentimento e inveja da mais respeitada do Brasil:
A vingança foi doce. Neste que é o único grande clássico brasileiro com um diferencial histórico de quase 50 chapuletadas a mais de um lado sobre o outro, ficou claro outra vez qual é a ordem natural das coisas. A diferença agora é que o Galo restaurou a ordem com um massacre marcado por algo que eu, pelo menos, jamais havia visto no futebol: um goleiro ir ao fundo da rede para buscar duas bolas numa só viagem. Senão vejam este inacreditável vídeo, no qual Fábio, o guarda-metas ex-ipiranguista, entra, talvez, para a história do futebol como o único arqueiro a ir buscar a bola do quarto gol com a do terceiro ainda lá no fundo do barbante.

Em vez de ocupar os tradicionais 2/3 do Mineirão que, mais uma vez, ocupou ontem, a massa alvinegra preencherá 90% do estádio no jogo da entrega das faixas, domingo que vem. Será um espetáculo inesquecível. Salve, Galo Metal. Salve Tristão, Doutor Cláudio, Dolabela, Mineiras, Uai.
Galo, campeão mineiro de 2007.
Atualização. Eis aqui a imagem inédita na história do futebol, a de um goleiro buscando bolas de dois gols:

O piti completo do goleiro Fábio pode ser visto nesse vídeo.
* Atualização II: Artur Perrusi me corrige com razão: O Santa Cruz também já venceu a Seleção Brasileira. Foi por 2 x 1, no dia 10 de outubro de 1934. Valeu, Artur.


Como o Biscoito só adere aos memes para os quais ele não é convidado, aqui vai minha contribuição ao mais recente que anda circulando por aí, o das “5 coisas para se fazer na sua cidade”. Quem levantou a bola foi o camarada 
Historinhas
Na época do furacão