Mentiras de marqueteiro
O marqueteiro Antônio Melo, que fez a campanha de Jackson Lago (PDT) ao governo do Maranhão, teve, pasmem leitores, a parcimônia, a cara-de-pau, o desplante de reivindicar a paternidade da campanha Xô Sarney, iniciada pela blogosfera em solidariedade aos ataques jurídicos do coronel maranhense à blogueira e jornalista Alcinéa Cavalcanti. Em entrevista ao panfleto conhecido como Veja, o marqueteiro afirma:
Veja – Roseana começou a disputa com 66% das intenções de voto. Como essa vantagem foi invertida?
Melo – O primeiro passo foi prender José Sarney no Amapá. Achávamos que, se ele tivesse problemas para se eleger senador por aquele Estado, deixaria a campanha da filha no Maranhão em segundo plano.
Veja – Como vocês fizeram isso?
Melo – Espalhamos na internet a frase “Xô Sarney”, que apareceu em uma pichação em Macapá. Sarney censurou os sites que a divulgaram. Com isso, deu ainda mais corda ao caso.
Os que acompanharam a campanha sabem muito bem que não foi nada disso. Sarney entrou na justiça contra a publicação de uma charge no blog de Alcinéa, conseguiu uma absurda decisão judicial a seu favor e a partir daí multiplicou-se o movimento de desafio ao coronel, com reproduções da charge em todo o Brasil. Obviamente, o jornalismo “investigativo” do panfleto conhecido como Veja publicou a mentira sem corrigi-la, apesar de que a estas alturas do campeonato eu, minha avó e a torcida do Corinthians sabemos que o movimento Xô Sarney foi iniciado por Alcinéa, e não por marqueteiro nenhum. Quem quiser saber mais sobre a história pode visitar os posts de política deste blog ou ler o resumão do Inagaki.
Eu e umas cachacinhas mineiras ao fundo. A camiseta foi presente de Alcinéa.
Crédito a quem de direito: o primeiro grito contra a mentira foi do blog Aqui não, Genésio!. Também já protestaram o blog Bomfinado e o Cejunior. Seria muito bom, claro, que o maior número possível de blogueiros repercutissem o desmentido. Seria igualmente interessante que o Reinaldo Azevedo, que na época prestou solidariedade à Alcinéa, ajudasse a corrigir mais essa mentira veiculada na revista onde trabalha, ainda que desta vez por um entrevistado.


Anteontem, uma discussão acalorada com um amigo muito querido sobre o caderno 


Se podría leer El entenado (1983), de 
Nos últimos anos, quatro episódios envolvendo três processos e uma ameaça de processo a cidadãos comuns por supostas injúrias ou calúnias contra políticos de diferentes ideologias colocaram de novo na mesa o debate sobre a livre expressão no Brasil. Em defesa, não da imparcialidade, mas da coêrencia deste blogueiro, diga-se que nos quatro casos eu me coloquei inequívoca e publicamente do lado dos processados – ao contrário, imagino, de boa parte dos que me criticam (alguns anonimamente) por defender `cegamente´ o governo Lula ou o PT. Dois dos políticos que moveram ou ameaçaram mover processos nesses quatro casos eram do PT.
Acontece em Belo Horizonte dia 11 de novembro, a partir das 17 horas no Balaio do Gato (R. Piauí, 1052), o lançamento de Mil e uma noites de futebol: O Brasil moderno de Mário Filho, de Marcelino Rodrigues da Silva, pela Editora UFMG (dica via
Terras do Sem Fim (1943) é algo diferente do realismo “social” de Jubiabá (1935), do realismo mais claramente socialista de Seara Vermelha (1946) ou da sensualidade ligeiramente folclorizada de Gabriela (1958). Se em Seara Vermelha os personagens parecem ser marionetes de forças mais poderosas que eles (as tais “leis da história”, entendidas segundo um marxismo já naquele momento stalinizado), acredito que em Terras do sem fim as escolhas dos personagens são mais genuinamente abertas. No final eles sucumbem à “lei do lugar”, que é afinal de contas a lei da selva que rege o processo de concentração de terras da indústria cacaueira. Mas essa lei é produto também de uma seqüência de ações humanas cujo sentido não estava dado de antemão. Por isso eu diria que Terras do sem fim é um romance mais polifônico e plural, menos naturalista que Seara Vermelha, por exemplo. Ou seja, na minha escala de valores, um melhor romance.