Vamos subir, Galô!

 

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No dia 14 passado, o meio-campista Vander e a equipe do Santo André descobriram a diferença entre um time grande e um time pequeno. Em sétimo lugar na tabela, o Santo André precisava da vitória em casa contra o líder Galo para seguir sonhando com a série A. Cometeram o erro fatal: eles, cujo o primeiro uniforme é branco, resolveram usar camisas azuis para “amedrontar” o primeiro campeão brasileiro. Erro número 1: um time grande jamais muda o uniforme em função do adversário, e os pequenos que o fazem geralmente pagam o preço. Erro número 2: ninguém no Santo André sabia, pelo jeito, que o Galo pode até ser eliminado da Copa do Brasil pelo Ceará, mas tem larguíssima vantagem sobre o Cruzeiro em confrontos diretos – a maior de todos os grandes clássicos brasileiros, aliás. Se há algo que não “amedronta” o Galo, é uma camisa azul.

Aos 2 minutos de jogo do segundo tempo, o meio-campista Vander cometeu o terceiro erro fatal: ao marcar o gol de empate, mandou a multidão alvi-negra (que era maioria no próprio estádio do Santo André) “calar a boca”. Ora, há que ser muito suicida para mandar calar, na hora de um empate, uma torcida visitante que está em maioria. Se for a torcida do Galo, é um tiro no peito. O Santo André até cresceu no jogo, mas a torcida mais apaixonada do mundo encheu-se de brios e gritou até o fim. Aos 43m, contra-ataque do Galo, gol de placa de Tchô, Galo 2 x 1, Santo André mais um aninho na Segunda Divisão. Vander, na próxima, pensará duas vezes antes de pôr o indicador entre os lábios na frente da mais apaixonada do mundo.

No sábado passado, a torcida do Galo bateu de novo o recorde de público do futebol brasileiro em 2006, com quase 60 mil pessoas no Mineirão. A goleada sobre o Avaí praticamente carimbou o passaporte de volta para a Primeira Divisão. Os poucos pontinhos que faltam devem ser conquistados nas próximas rodadas. Em meio à euforia, até mesmo o Sr. Mílton Neves fez questão de aparecer no Mineirão, fazer média com a torcida e bajular os cartolas, numa tremenda confusão entre jornalismo e politicagem.

É hora de reiterar o óbvio: os méritos da iminente subida à Primeira Divisão são, em primeiro lugar, da mais apaixonada do mundo, que arranjou forças para incentivar um time que não havia vencido ninguém fora de casa no primeiro turno. O que aconteceu no jogo contra o Avaí neste sábado foi indescritível. Depois da goleada, um desolado catarinense testemunhava: “contra essa torcida, não dá”. Inconscientemente, ele citava Telê Santana, autor da frase “quem tem uma torcida como essa é quase impossível de ser derrotado em casa”. Em segundo lugar, os méritos são dos garotos que vieram das categorias de base e puseram os corações nas chuteiras; depois, de Levir Culpi, que soube colocá-los para jogar. A diretoria do mais querido de Minas continua criminosamente omissa, burra e sem planejamento, para não dizer mui, mui suspeita. Aliás, com raríssimas exceções – São Paulo, Internacional, Botafogo – os clubes brasileiros continuam em mãos das mesmíssimas corjas. Comandada pelo Sr. Ricardo “BMG” Guimarães, a atual diretoria do Galo é responsável pela pior crise técnica e financeira da história do clube e não merece nenhum laurel por este belo movimento que está unindo atleticanos em todo o Brasil. Vamos subir, Galô! – mas sem nos deixarmos cegar, ok?

Enquanto isso, na série A, tudo na mesma chatice. E na Série C, olha o Ipatinga aí, gente.

Leia e veja mais: Vamos Subir, Galô!
Do Balípodo: Torcer, torcer, torcer, esse é o nosso ideal.
No Youtube: A massa alvi-negra faz a festa no Mineirão.
Youtube: Galo 2 x 0 Sport, melhores momentos no campo e nas arquibancadas.
Movimento 105 minutos (dica da Ana)

PS: O Prêmio The BOBs já escolheu os dez blogs finalistas em língua portuguesa. O Biscoito convida seus leitores para comparecerem e votarem no Pensar Enlouquece.

Atualização: … e convida também a votar no blog da Alcinéa Cavalcante, que concorre ao prêmio Repórteres sem fronteiras.