Links, na porta do avião

Minha última secondline em New Orleans antes de embarcar para o Brasil.

Sim, o carinha ao fundo é Bono Vox, que passou por aqui. Em primeiro plano, minha amiga e aluna Renata.
Direto do Louis Armstrong International Airport (não é maravilhosa uma cidade onde o aeroporto tem nome de músico, e não de ex-presidente? Belo vínculo entre New Orleans e o Rio; só falta agora um vôo direto), deixo-lhes alguns links e recados:
Embarco agora para o Brasil para votar, mas também para participar de um evento de uma semana, intitulado “Crítica e Valor”, no qual uma série de críticos literários e ensaístas do Brasil e do exterior se reunirão, de 02 a 06 de outubro, na Casa de Rui Barbosa, para prestar homenagens aos 70 anos do grande, do genial, do one and only Silviano Santiago. A programação está disponível no site da casa e as inscrições estão abertas. Se você não conhece a obra deste indispensável escritor, comece com Stella Manhattan ou Em Liberdade.
Direto do Planeta Mary W, um belo comentário dela sobre o debate em SP: E o Plínio perguntou “em quem você votou pra presidente do PT, Mercadante, em mim ou no Berzoini?”. E o Mercadante não respondeu. E ficou mal. Ele que tinha feito um debate apenas ruim, descambou pro péssimo. Isso NÃO teria impacto no grande eleitorado e ele não ficaria com pecha de fujão. Comentário meu: Ah, o Plínio é muito sabido mesmo. Engole o Mercadante de primeira e sem fazer força. Essa pergunta foi o má-xi-mo! E o Mercadante é tão burro que nem lhe ocorreu a resposta fácil, mesmo que falsa: “em nenhum dos dois. Votei no Raul Pont. Jamais votaria num candidato que abandona um partido no intervalo entre o primeiro e o segundo turnos de uma eleição para presidente. Ou sai antes ou valida a eleição inteira, senão é oportunismo.” Mas quem é o Mercadante para pensar numa resposta dessas? Nem que a vaca tussa. Parece que o Plínio comeu o debate em SP com garfo e faca; pelo menos é o que me disseram observadores parciais e imparciais.
Outra citação: eu fico estupefato com esse tipo de pensamento que achata o mundo e iguala um Mário Covas a um Paulo Maluf, um Jefferson Peres a um José Janene, um Hélio Bicudo a um Erasmo Dias, um Darcy Ribeiro a um Roberto Jefferson, um Jorge Viana a um Hildebrando Pascoal. No mínimo, é muita falta de conhecimento histórico, uma demonstração do que existe de mais nocivo, mais estéril nesse desprezo desinformado pela classe política como um todo. Escolher os homens e mulheres que decidirão os rumos desta nação pelos próximos anos certamente influenciará a sua vida muito mais do que a aquisição de uma roupa nova. E dizer que nenhum candidato lhe satisfaz, como se absolutamente ninguém dentre os milhares de nomes que concorrem às vagas de deputado, senador, governador e presidente não corresponda minimamente a qualquer uma de suas expectativas com relação a educação, saúde, transportes, turismo ou economia, me soa como uma tremenda falta de vontade em ao menos conhecer as propostas, o plano de governo ou as prioridades elencadas por cada postulante. Estou sinceramente saturado desse tipo de queixa genérica, balbuciadas do tipo “ah, esse país não tem mais jeito mesmo, ninguém presta”, coisas de quem não lembra em quem votou, nunca entrou em contato com um vereador ou deputado para cobrá-los por suas decisões, de quem deixa de fazer a sua parte, seja saindo às ruas e participando de manifestações, seja se engajando em alguma atividade que vise o prol coletivo, limitando-se a resmungar por causa dos “patifes”, seja lá quem forem eles. É Alexandre Inagaki matando a pau no último post, embaixo do qual o Biscoito assina integralmente. Nada, nada me irrita tanto como o santo e indignado discurso – muito comum no eixo que eu chamo de Leblon-Morumbi-Mangabeiras – que atribui à política enquanto tal uma sujeira inescapável, e aos políticos, todos eles, a mesma falta de “moral” ou de “ética” (acho curiosíssimo o sentido em que essa palavra vem sendo usada na campanha eleitoral brasileira). Discurso tranqüilo, reconfortante e preguiçoso que Ina desmonta com maestria no último post.
Já que o Biscoito estava certo de que não houve grampo no TSE coisa nenhuma, não seria o caso de o Ministro Mello, ao invés de dar uma entrevista como essa, vir a público para pedir desculpas à sociedade brasileira pelas suas absurdas ilações? O Biscoito continua perguntando: por que ele fez denúncias e 24 horas depois fez questão de dizer que a PF não acharia nada?
Sobre o debate no Rio, o que eu ouvi falar foi que Denise Frossard perdeu uma ótima chance e que o único que se saiu razoavelmente bem foi o Eduardo Paes. Confere?
O blog volta com um post “reta final” no sábado. Amigos de BH: estarei na cidade, no telefone de sempre, de sexta a domingo. Amigos do Rio: de 02 a 08 estarei por aí, encontrável no Golden Park, Rua do Russell, Glória. Abraços e boa eleição para todos.

Bem discreta, no canto do “Painel”, na Folha de São Paulo deste domingo, encontrava-se a notinha assinada por Renata Lo Prete que
Sem desgrudar os olhos do pau que come na 
Ao longo desta campanha eleitoral, José Sarney e seus capangas têm tentado silenciar e censurar o blog da jornalista
A coisa esquentou aqui 

Em setembro de 2003, o editor de economia do Estado de Minas, Ugo Braga – também profissional com longa trajetória no jornalismo – publicou uma minúscula nota que informava que a popularidade de Aécio, naquele momento, era a terceira pior entre os governadores do país e só ganhava dos de Sergipe e de Roraima. Também depois de pressão do governo do estado, foi chamado por seu superior e convidado a aceitar ser realocado. Aceitou, mas logo depois foi convocado a uma segunda reunião e informado que nem mesmo a solução da realocação era mais possível, pois “a pressão era muito forte.” Ugo Braga foi demitido do Estado de Minas ali mesmo.