Os 10 mais da música brasileira. Vote aqui
10. Caetano Veloso, *Cinema Transcendental* (1979): A dúvida foi entre este e *Transa* (1972) que, como concepção total, eu acho superior.
*Cinema * tem aquela que talvez seja a pior música de Caetano, ‘Aracaju’.
Em compensação, o resto é pérola: ‘Lua de São Jorge’, ‘Beleza Pura’,
‘Oração ao Tempo’ , ‘Elegia’, ‘Cajuína’, ‘Badauê’ e o *opus magnum* de meu mestre Mautner, ‘Vampiro’. Este disco foi fundamental. Numa época em que arranjos escalafobéticos eram considerados marca de sofisticação, em que Rick Wakeman era considerado boa música, Caetano fez um disco sequinho, sem produção excessiva, sem tecladagens progressivóides. Muito violão acústico e bongô. Deu o recado legal.
9. Chico Science e Nação Zumbi, *Da Lama ao Caos* (1994): Pode-se
combinar hip hop e maracatu? Música preta e música branca? Música
regional do seu bisavô com os samplers pirateados de Nova Iorque? Hoje parece óbvio que sim. Graças a este homem, o gênio, o primeiro e único.
8. *Elis e Tom* (1974). Os bossanovistas terão que se contentar com
este disco no meu top 10, que não tem *Chega de Saudade*, disco
importante mas, para mim, intragável. *Elis e Tom *é capaz de fazer
qualquer um se apaixonar pela Bossa Nova. A faixa de abertura, ‘Aguas de Março’ merece estar em qualquer antologia de música brasileira.
7. Raul Seixas, *Krig-ha-Bandolo!* (1973): quando vou aplicar Raul em alguém, começo com *Novo Aeon* (1975), seu disco mais místico e
bem-produzido. Mas neste estão as pérolas: ‘Mosca na Sopa’, ‘Metamorfose Ambulante’, ‘Al Capone’ , ‘Ouro de Tolo’ e uma belíssima (e pouco
conhecida) balada dylanesca de Raul em inglês, ‘How could I know’
6. Dorival Caymmi, *Eu vou para maracangalha* (1957). *Canções
praieiras *(1954) e *Caymmi e o Mar* (1957) seriam bons candidatos. Mas é aqui que o Rio encontra a Bahia, e o samba come solto. É meu favorito de Caymmi. Aproveitem enquanto as edições originais ainda estão disponíveis em CD. Qualquer dia eles tiram de catálogo e colocam uma coletânea feita sem critério, com alguma bunda na capa.
5. *Chico Buarque* (1984). Chico é outro que tem vários discos
candidatos. Seu disco também epônimo de 1978 tem várias pérolas mais
conhecidas, mas meu favorito é este aqui, o Chico da volta à democracia. Destaque para ‘Pelas Tabelas’, ‘Brejo da Cruz’ e ‘Vai Passar’
4. Gilberto Gil, *Refavela* (1976). Na escolha do disco de Gil não tive dúvida: esse é seu disco capital prá mim. É toda sua trajetória anterior profundamente repensada à luz da visita à Nigéria e da reflexão sobre a negritude.
3. Milton Nascimento e Lô Borges, *Clube da Esquina* (1972). Um dia
ainda escreverei um livro inteiro sobre esse disco. Dizer o quê em duas linhas? Se não o conhece, pare de ler este blog e vá consegui-lo. Sua vida jamais será a mesma.
2. *Clementina e Convidados* (1979): Clara Nunes, João Bosco, Adoniran, Martinho da Vila e outros cobras reunidos pela Quelé numa *tour de force* inesquecível.
1. *Som Pixinguinha* (1973). Prá mim é o maior disco já feito no país. Versão orquestral de 8 minutos de ‘Carinhoso’. Incrível performance na flauta em 1 x 0. O ‘Samba Fúnebre’ com letra engajada de Vinícius. Uma revisitada inesquecível a ‘Samba do Urubu’. É o Pixinga, à beira da morte, dizendo: OK, são 100 anos de música urbana popular no Brasil.
Deixa eu pegar a porra toda e sintetizá-la em 40 minutos.
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