*Explicações sobre o clone
*Explicações sobre o clone do Prof. Idelber*
Eu imagino que a estas alturas a *deliciosa confusão* que acometeu este
blog nos últimos quatro dias já rendeu reflexão para todo mundo. Nessa
confusão, alguns leitores se divertiram de cara, alguns se agarraram a
uma tábua e flutuaram, outros boiaram e outros se afogaram
inapelavelmente. A reflexão que o episódio me rendeu é tão vasta,
digamos, que não caberia no meu limite de caracteres por post aqui no
UOL. Dissertarei sobre o caso em breve, mas o resumo é o seguinte: na
entrevista com o Alê
[link] ,
na quinta, sob o testemunho de vários blogueiros, eu me ofereci para
interpelar pessoas que chegavam por engano à sala de chat do UOL. De
madrugada fiz um post desmentindo o que vários blogueiros haviam
presenciado, dizendo que aquela pessoa que tinha batido papo não era eu.
Exagerei, parodiei e ficcionalizei a brincadeira para que todos
percebessem. Muitos o perceberam, mas não todos. Na sexta dei-me de
conta que, ao contrário do que eu esperava, boa parte do leitorado
*tinha embarcado na falsa ficcionalização*. Boa parte dos meus amigos
estava preocupada comigo. Recebi inúmeros emails que perguntavam pela
minha saúde.
A piração e o medo na internet são tais que qualquer viagem neguinho
acredita, qualquer denúncia é verdadeira, qualquer reclamação é falta,
qualquer esbarrão é tiro livre direto. Estatelado, dei-me conta de que
em certas circunstâncias não há mais lugar para a paródia ou para a
ironia. Diverti-me muito com essa idéia e passei a tirar as conclusões
necessárias. Naquele dia o *Biscoito* bateu recorde de visitas e alguns
dos meus mais ilustres leitores foram trapaceados pelo joguinho
borgeano. Depois disso, eu fiz um post absurdo no sábado, exagerando
a ficção com o objetivo de denunciar a bagunça. Mesmo assim, alguns
leitores *insistiam em escorregar.* Enquanto isso, na manhã seguinte, o
gênio de Rafael Galvão [link] me localizou no MSN e
me propôs uma entrevista com o falsário que eu havia inventado. Como eu
sinto profundo desprezo por todos os flamenguistas, aceitei o desafio.
Saiu este post
[link] em
co-autoria, sem dúvida o melhor que eu já fiz na vida, localizado, com
toda justiça, no blog do Rafael [link] . Naquele
momento, a brincadeira já estava fora de nosso controle. *Conte-nos aqui
como você viveu este episódio, leitor.*
*PS às 16 h de Brasília*: relendo o post acima dei-me conta de que me
equivoquei numa afirmação. Da generalizada literalidade nas
leituras, provocada pelo receio e paranóia internéticas, eu extraí a
bobinha conclusão de que “não há mais lugar para a paródia ou a ironia”.
Engano meu, claro. Quanto mais o contexto, por qualquer motivo, force
uma leitura literal das coisas, maior a necessidade de, e mais fértil o
espaço para, a ironia e a paródia.
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