segunda-feira, 10 de agosto 2009
Este blog está em hibernação por tempo indeterminado
Caros leitores:
É hora de dar-lhes uma satisfação sobre os rumos do blog. Depois de muito pensar e examinar alternativas, decidi colocar o Biscoito em regime de hibernação por tempo indeterminado. Achei que conseguiria chegar ao quinto aniversário do blog, em outubro deste ano, no regime de postagens quase diário com o qual os leitores já se acostumaram. Mas não vai dar. Ficou impossível conciliar meu intenso envolvimento com a internet e o trabalho acadêmico que pretendo fazer nos próximos meses, que inclui três contratos de livros.
Claro que pensei na alternativa de manter o blog ativo e reduzir a frequência dos posts, o que teoricamente me permitiria dedicar mais tempo à pesquisa e à escrita acadêmica. No entanto, como sabe qualquer internauta viciado, as coisas não são tão simples. A vida online suga bastante e a minha, em particular, tem tido forte componente compulsivo. É mais ou menos como parar de fumar. No meu caso, “reduzir” não era uma opção.
Também pensei na possibilidade de convidar alguns dos muitos comentaristas do blog para postarem textos aqui a cada semana, transformando o Biscoito numa espécie de revista. Mas, além de que isso me manteria ligado na caixa de comentários, a ideia não tem muito sentido, visto que praticamente todos os colaboradores em quem pensei têm os seus próprios blogs.
Vou manter minha conta no Twitter mas também por lá devo dar uma reduzida. Sigo colaborando com a Revista Fórum, em cujo site você poderá ler, mensalmente, meus artigos, que não pretendo continuar postando aqui.
Nestes dez dias sem blogar, redescobri um pouco do intenso prazer de ler a produção acadêmica recente em crítica literária, filosofia e estudos culturais: ler coisas com capa, desenvolvendo um longo, complexo argumento em centenas de páginas, produto de pesquisa e reflexão feita ao longo de anos. É uma experiência que, pelo menos para mim, a internet não substitui. Claro que continuo um entusiasta dos blogs, das redes sociais, das novas mídias. Claro que é possível conciliar as duas coisas, viver simultaneamente nos dois mundos. Este blog provou isso nos últimos cinco anos, em que minha produção acadêmica se manteve mais ou menos constante. Mas o fato é que não conheço, pelo menos em português, um blog de penetração e frequência de postagens comparáveis às do Biscoito que seja escrito por um acadêmico ativo, com produção constante. Dá um trabalho do cacete. Meu amigo Michael Bérubé teve um blog comparável durante alguns anos. Precisou parar. Ainda não voltou. Minha suspeita é que vou acabar voltando antes dele mas, agora, impõe-se uma pausa para respirar e recarregar as baterias do intelecto.
Fica aqui o convite para que você escarafunche os arquivos do blog sobre política, Direito, literatura, Filosofia, música, esportes, New Orleans e metablogagem. Há bastante material sobre a Palestina ocupada. Há uma tag sob a qual está agrupada toda a cobertura da eleição de Obama. Para aqueles que se interessam pelos possíveis usos da internet na pesquisa sobre literatura, o Clube de Leituras talvez possa oferecer algumas ideias.
Peço a compreensão de vocês por trancar a caixa de comentários deste post, mas é uma decisão que facilita a minha transição de volta à vida acadêmica em tempo integral.
Há uma teoria que reza que não existe ex-blogueiro e, como dito acima, pretendo voltar em algum momento. Encontrarei formas de avisar-lhes. Deixo o agradecimento a todos os leitores e comentaristas. Agradeço muito a todos os blogs que lincaram textos do Biscoito ao longo destes anos. Obrigado, de verdade. Valeu.
Escrito por Idelber às 15:58 | link para este post
sábado, 01 de agosto 2009
Drops
Os primeiros cinco links dos drops de hoje vêm do último número da Revista Fórum, que está muito bom:
Sergio Amadeu dá uma entrevista sobre a ética que animou o surgimento da internet, o conflito inevitável entre a lei de direitos autorais e o coletivismo internético e fala, como sempre, com autoridade, sobre o AI-5 Digital.
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Você sabe, caro leitor, quais são os três estados brasileiros onde não existem Defensorias Públicas? Você leu na Fórum, via Biscoito, primeiro: Santa Catarina, Paraná e Goiás. Três dos grandes – se não os três maiores – bastiões do anti-lulismo. O artigo de Cinthia Rodrigues é uma reflexão breve, mas informativa, incisiva, sobre o triste estado das nossas Defensorias. AC, AP, DF, MS, PB e RR tem 100% de suas comarcas atendidas por Defensorias. Só 47% das comarcas mineiras são atendidas por Defensorias. O estado de São Paulo? Quinto pior índice do Brasil, 7,1%. No artigo de Cinthia Rodrigues.
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Renato Rovai e Adriana Delorenzo fizeram interessante entrevista com Valter Wladimir Pomar (obrigado pela correção, André e Biajoni), talvez o maior especialista brasileiro em China, ainda que com uma versão forçada, oficial e ortodoxa sobre o massacre na Praça Tianamen.
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Amanda Rossi escreve sobre a medida provisória que prevê a regularização de 67,4 milhões de hectares na Amazônia.
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Camila Souza Ramos escreve muito bem sobre a contagem regressiva do kirchnerismo e faz ótima entrevista com o historiador Osvaldo Coggliola.
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Foi punida só com uma censura a piradíssima psicóloga evangélica que se propõe a “curar” gays e lésbicas. Mas ainda está viva a possibilidade de que seu registro seja cassado, o que é o correto segundo resolução já aprovada pelo Conselho Federal de Psicologia, que proíbe esse tipo de maluquice.
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O artigo de Paulo Renó sobre cotas e falácias lógicas foi um dos melhores textos que li sobre o assunto ultimamente.
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Sempre é bom lembrar que foi Leonardo Sakamoto, e não a grande imprensa, quem noticiou que uma escola pública de São Paulo virou alojamento de escravos.
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Eu ando seguindo, sim, a linda série do Urbanamente sobre cidades literárias.
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Análise sensata e bem informada, sempre, é o que se tem com Sergio Leo escrevendo sobre a América Latina. Com o Paraguai não é diferente.
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Está no blog do Alon Feuerwerker o belo documentário feito pela TV Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul em comemoração aos 30 anos da reconstrução da UNE. Parabéns ao Alon e a toda a geração da reconstrução.
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Alguém aí sabe quanto dinheiro público irrigou as Organizações Globo durante os 21 anos do regime militar? Existe alguma pesquisa minimamente fundamentada sobre esse mastodôntico número? Será que algum dos funcionários dos Marinho, ao falar de dinheiro público indo para isso ou aquilo, pensa em fazer essa pesquisa?
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Não sei se repararam, mas Michelle Bachelet deu a volta por cima.
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Excelente o texto de Alan Badiou sobre a arte, publicado em português no último número do Sopro, revista editada por Alexandre Nodari e Flávia Cera, que andam fazendo a peregrinação da capital mundial dos botecos.
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E, nas palavras de Túlio Vianna, Gilmar Mendes indeferiu (pdf) a liminar do DEM contra as cotas, mas preparou o terreno para votar com eles na questão de mérito.
Escrito por Idelber às 07:16 | link para este post
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